O MAIB manifestou a sua preocupação com “o extermínio do povo anobonês”

Orlando Cartagena Lagar e Reginaldo Piño Huesca.

“Ficamos surpresos com a declaração oficial do Partido do Progresso sobre as declarações feitas pelo Sr. Lagar Orlando Cartagena, já que o PPGE não é o partido governista, mas sua declaração não se desvia da linha política do regime no poder na Guiné Equatorial", afirma o texto.

Do MAIB recorda-se que A Guiné Equatorial vive sob uma ditadura militar por mais de cinquenta anos, o que impede a existência real da democracia, dos partidos políticos ou das garantias cidadãs. Diante desse contexto, o MAIB rejeita qualquer tentativa de "desautorizar" o exílio de Orlando Cartagena Lagar. "Que autoridade ou poderes tem Armengol Engonga para repudiar as ações de Orlando Cartagena? Ambos vivem exilados no Reino da Espanha, não na Guiné Equatorial", afirma o comunicado.

"A repressão do povo anobonês é normalizada por aqueles que buscam o poder."

Uma das passagens mais contundentes da declaração aponta diretamente para a Tratamento histórico do povo anobonês pelo Estado da Guiné Equatorial: "A repressão e o extermínio de povos como os anoboneses na Guiné Equatorial são normalizados por aqueles que buscam poder no país."

A denúncia não se limita ao regime de Obiang: ela também alerta para a passividade — ou cumplicidade — de setores de oposição que reproduzem os mesmos padrões de exclusão e negação de direitos.

Nem todo o país sofre igualmente

O texto também questiona o suposto sofrimento compartilhado entre os diferentes povos que compõem a Guiné Equatorial. O MAIB afirma que Annobón sofre de uma situação de exclusão estrutural e abandono deliberado, que não afeta o resto do país da mesma forma.

 "Não é verdade que o sofrimento do povo Annobon seja compartilhado por todos os guineenses equatoriais. Muitos se deleitam com ele, e isso lhes permite acumular mais riqueza e poder. As ações dos governantes são mais do que suficientes para demonstrar a realidade brutal de Annobon", afirma a declaração.

O duplo padrão na intervenção estrangeira

Outro ponto-chave da declaração refere-se à presença de mercenários estrangeiros na Guiné Equatorial, contratado pelo regime para proteger a família Obiang. Diante dessa realidade, o MAIB apoiou abertamente a busca por apoio internacional para a causa annobonesa.

A esse respeito, declararam: "Atualmente, há mercenários de diferentes países na Guiné Equatorial protegendo os Obiangs, não os Anoboneses. Somente com essa presença mercenária qualquer cidadão pode invocar qualquer recurso que considere apropriado para colocar as coisas em ordem, seja para unir ou separar diferentes fatores e interesses."

O MAIB encerra a sua mensagem com um claro aviso: este tipo de declaração, longe de fortalecer a oposição democrática, acaba por favorecendo o regime repressivo. "Comunicações dessa natureza facilitam a vida do opressor e dos mercenários que o acompanham, cuja presença é estimada como considerável nos últimos meses."

Com estas palavras, o MAIB reafirma o seu compromisso com a luta pela descolonização de Annobón, e apela aos movimentos de oposição para que demonstrem respeito, coerência e verdadeira solidariedade com as pessoas mais castigadas pela ditadura.

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